
Hoje, vamos discorrer sobre um dos males do século. O desânimo. Ele aparece em muitas pessoas, e isso inclui as mulheres.
Trouxe os dados sobre depressão para termos uma estimativa sobre um dos desdobramentos do que estamos abordando. Mas não é exatamente sobre ela que vamos falar hoje. Mas, um dos motivos que levam a ela. A perda e a desconexão de si antes de ela chegar.
Você já se perguntou, do que sinto falta? O que desejo agora? Ou até perguntas mais claras. Como, Anseio pelo o que? Estou morrendo de vontade de…. A resposta costuma vir rápida. Mas logo após um, "ah, mas eu não posso fazer isso."
É fato que a vida adulta demanda. Essas demandas vão tirando nossos prazeres, vontades, desejos, até chegar a hora que percebemos que não sonhamos mais. Apenas produzimos e produzimos automaticamente.
Gosto do trecho desse livro, pois ele nos remonta o que é felicidade. Essa segurança toda, a garra para perseguir os sonhos, a motivação aguçada no pico. Geralmente, uma época feliz tem isso tudo aí em dia.
Ao longo da vida vamos perdendo. Não que mudar de ideia, posições, opiniões não faça parte da vida. Mas mudar aquilo que está intrinsecamente enraizado por conta dos outros, das demandas da vida ou da sociedade é um dos caminhos para adoecer.
Reconectar-se consigo não é um evento único, é um exercício diário. E permitir-se aos poucos, desaprender tudo aquilo que fomos ensinadas a engolir. A opinião para não desagradar, o desejo que adiamos para “quando der tempo”, o sonho que trocamos por uma versão mais aceitável de nós mesmas.
O desânimo, na maioria das vezes, não nasce do cansaço físico. Nasce do cansaço de viver uma vida que já não reconhecemos como nossa. E o instinto tentando avisar que algo, no caminho, ficou para trás. Sim, o instinto. Ele existe e está sempre conosco.
E aqui mora um ponto importante: reconectar-se não significa abandonar responsabilidades ou virar as costas para a vida adulta. Significa, sim, encontrar pequenos espaços onde a sua voz interna ainda pode ser ouvida mesmo que seja em decisões pequenas, em um “não” dito a tempo, em um momento do dia só seu.
Talvez o primeiro passo não seja recuperar tudo o que se perdeu de uma vez, mas simplesmente voltar a perguntar. Do que sinto falta? O que ainda desejo, mesmo que pareça impossível agora? Essas perguntas, feitas com honestidade e sem pressa de resposta, já são o começo do reencontro.
Porque, no fim, a felicidade da qual sentimos tanta saudade não estava apenas em uma época. Estava na coragem de escutar a si mesma. E essa coragem, diferente do que muitas vezes acreditamos, não se perdeu. Só está esperando para ser chamada de volta.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal. Rio de Janeiro: IBGE, 2020. Disponível em: Pesquisa Nacional de Saúde IBGE. Acesso em: 4 set. 2026.
ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem. Tradução de Waldéa Barcellos. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.